MERCADO CAMBIAL EM MOÇAMBIQUE: PRINCIPAIS CONCLUSÕES
Na Sessão Bilateral Moçambique–União Europeia, organizada pela EuroCam e PROMOVE COMÉRCIO durante a CASP 2025, o economista Firmino Chirrime apresentou os resultados do Estudo sobre o Mercado Cambial em Moçambique, conduzido pela EuroCam.
O estudo revela uma escassez crítica de divisas no mercado interbancário, afectando pagamentos de importações e o repatriamento de capitais. Entre as causas destacam-se:
· Queda das exportações
· Fuga de capitais
· Crise de confiança pós-eleitoral
· Pressão sobre as reservas internacionais devido ao serviço da dívida externa
Os sectores de aviação, turismo, indústria transformadora e comércio estão entre os mais afectados. Algumas companhias aéreas já reduziram ou suspenderam operações por não conseguirem repatriar receitas.
Segundo o inquérito da EuroCam, 80% das empresas prevêem forte redução das suas actividades, e 50% afirmam só conseguir operar por até 60 dias caso a crise persista.
Chirrime alertou que, sem reformas urgentes, o país poderá enfrentar uma desvalorização do metical de pelo menos 10%, com reflexos na inflação, investimento e emprego. Entre as recomendações:
· Maior flexibilidade cambial por parte do Banco de Moçambique
· Prioridade na alocação de divisas para sectores críticos (combustíveis, alimentos, medicamentos e matérias-primas)
· Redução do coeficiente de reservas obrigatórias para reforçar a liquidez e o financiamento em moeda estrangeira
Concluiu apelando a uma resposta coordenada entre Governo e Banco Central para restaurar a confiança dos investidores e proteger o tecido empresarial, composto sobretudo por micro, pequenas e médias empresas.